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O que fazer quando você não confia no diagnóstico que recebeu: entenda as causas da discordância de diagnóstico entre profissionais e como a avaliação neuropsicológica pode ajudar

  • Foto do escritor: Gisele Silva Corrêa
    Gisele Silva Corrêa
  • 22 de dez. de 2025
  • 6 min de leitura

Frequentemente, pessoas que buscam orientação clínica ou educacional se deparam com um diagnóstico que não “soa certo”. Isso pode gerar ansiedade, frustração e dúvidas profundas. Quando um diagnóstico não inspira confiança, não é simplesmente uma questão de opinião — pode refletir limitações no processo diagnóstico, diferenças de abordagem entre profissionais ou falta de informações sobre as dificuldades vividas pela pessoa.


Neste post, será explorado o que fazer quando você não confia no diagnóstico que recebeu, por que ocorrem discordâncias de diagnóstico entre profissionais, e como buscar um entendimento mais claro pode fazer toda a diferença na sua vida ou na de quem você ama.


O conteúdo é apresentado de forma didática, com exemplos práticos, para que você entenda os fatores envolvidos e saiba como agir com segurança e assertividade. Ao final, também verá como a avaliação neuropsicológica pode oferecer uma visão mais profunda e precisa do funcionamento cognitivo e emocional.


Quando o diagnóstico não faz sentido: Como identificar suas dúvidas reais


É comum sentir que algo “não bate” quando se lê um diagnóstico ou ouve uma conclusão de um profissional. Talvez os sintomas que você vivencia — ou que observa em alguém próximo — não se encaixem perfeitamente na descrição apresentada. Um exemplo típico: uma pessoa com dificuldades marcantes de atenção que recebeu um diagnóstico de “ansiedade leve”, mas que continua sem explicação para a dificuldade de concentração no trabalho ou nos estudos.


Outro exemplo ocorre em contextos escolares. Uma família pode receber um rótulo de “baixo rendimento escolar”, mas os comportamentos observados — como lentidão em tarefas, esquecimento frequente ou dificuldades para organizar ideias — sugerem algo além de desmotivação ou falta de esforço.


Nessas situações, a sensação de que “alguma coisa está faltando” é legítima. Não se trata apenas de dúvida — é a percepção de que a explicação não está alinhada com a experiência vivenciada.


Sinais de que você pode precisar de uma segunda opinião


Há alguns sinais relativamente constantes que podem indicar a necessidade de buscar uma segunda opinião profissional. O primeiro deles é incoerência entre sintomas e diagnóstico. Se o diagnóstico não abrange as dificuldades que você observa no dia a dia, é válido questionar.


Outro sinal é falta de clareza na explicação. Profissionais que utilizam termos vagos, sem exemplificar como chegaram à conclusão, podem deixar você confuso. Por exemplo, dizer apenas “você tem dificuldades cognitivas” sem explicar quais funções estão envolvidas — como atenção, memória ou linguagem — e como isso afeta sua rotina, não ajuda na prática.


Finalmente, se após o diagnóstico os problemas persistem ou até se agravam, pode ser um indicativo de que o entendimento inicial não foi suficiente ou adequado.


A diferença entre sintomas e diagnóstico


Sintomas são o que você vive e percebe: dificuldade de memória, fadiga mental, irritabilidade, desatenção, ansiedade. O diagnóstico é a interpretação profissional desses sinais e a identificação de um padrão de funcionamento (ou disfunção) com base em critérios definidos.


Um erro comum é confundir sintomas com diagnóstico definitivo. Por exemplo, sentir-se frequentemente ansioso não significa automaticamente que a pessoa tenha Transtorno de Ansiedade Generalizada — pode ser uma resposta situacional a fatores de vida ou estar ligado a outro conjunto de questões cognitivas ou emocionais.


Compreender essa diferença é básico, mas muitas vezes negligenciado. É justamente aqui que a discordância entre profissionais pode surgir: um pode focar mais nos sintomas comportamentais, outro pode buscar indicadores cognitivos ou emocionais mais amplos.


Por que profissionais podem discordar entre si? Entenda as causas comuns


A) Diferenças de Formação e Abordagem


Cada profissional — seja um psicólogo clínico, psiquiatra, neurologista ou neuropsicólogo — tem um conjunto de ferramentas e métodos próprios. O foco de um psicólogo pode ser diferente do de um médico, que por sua vez pode priorizar sintomas físicos ou comportamentais.


Por exemplo, um profissional pode focar predominantemente em narrativa clínica (histórico e queixas), enquanto outro pode aplicar testes padronizados que medem funções cognitivas específicas. Essas abordagens podem levar a conclusões distintas.


B) Ferramentas Diagnósticas Utilizadas Variam de Pessoa para Pessoa


Nem todos os profissionais têm acesso ou experiência com os mesmos instrumentos avaliativos. Alguns podem basear seu diagnóstico apenas em entrevistas clínicas, enquanto outros combinam entrevistas com testes psicológicos estruturados, escalas padronizadas e observações comportamentais.


Isso pode gerar diferenças — um diagnóstico mais superficial versus um diagnóstico mais aprofundado e embasado em dados objetivos.


C) A Importância da Contextualização Individual


Cada pessoa é única. Dois pacientes podem apresentar sintomas semelhantes, mas com origens e impactos funcionais completamente diferentes. Um diagnóstico eficaz precisa considerar histórico de vida, contexto social e emocional, demandas diárias e o funcionamento cognitivo.


Profissionais que não avaliam esses elementos de forma integrada podem chegar a conclusões divergentes.


Exemplo do dia a dia: Discordância de diagnóstico em crianças na escola


Imagine uma criança que tem muita dificuldade para acompanhar as aulas, parece “desatenta” e faz erros por descuido. Um professor pode sugerir que isso indica falta de esforço. Um clínico pode diagnosticar ansiedade. Um outro profissional pode levantar a hipótese de Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH).


Sem uma avaliação neuropsicológica completa, essas interpretações ficam fragmentadas. A criança pode ser rotulada de maneira inadequada, levando a estratégias de intervenção que não resolvem o problema real.


Exemplo prático em adultos: Cansaço mental e “memória ruim”


Um adulto queixa-se de cansaço mental, lapsos de memória e dificuldade para se organizar no trabalho. Pode receber um diagnóstico de estresse ou depressão. Outro profissional pode dizer que aquilo é “natural da idade”.


Porém, pode haver fatores cognitivos específicos — como deficiência de atenção ou problemas na memória de trabalho — que apenas uma avaliação detalhada pode identificar. Sem isso, as orientações podem ser genéricas e pouco eficazes.


O papel da Avaliação Neuropsicológica no esclarecimento diagnóstico


A avaliação neuropsicológica é um processo detalhado que combina entrevistas clínicas, observações comportamentais, testes padronizados e análise funcional das dificuldades no cotidiano. Ela não se limita a “rotular”, mas busca compreender como áreas específicas do funcionamento cognitivo e emocional estão envolvidas nas dificuldades relatadas.


Esse tipo de avaliação é especialmente útil quando há dúvidas diagnósticas, sintomas mistos ou apresentações atípicas.


Uma avaliação neuropsicológica pode identificar padrões cognitivos, como:

  • pontos fortes e fracos em funções específicas (atenção, memória, linguagem, funções executivas);

  • discrepâncias entre desempenho esperado e desempenho observado;

  • impacto funcional das dificuldades no cotidiano.


Essas informações vão além do que uma consulta rápida ou uma entrevista clínica isolada pode oferecer, e ajudam a construir um diagnóstico mais preciso.


Quando o diagnóstico se baseia em dados sólidos, as intervenções podem ser muito mais eficazes. Por exemplo:

  • se uma dificuldade de aprendizagem está ligada a problemas de memória de trabalho, estratégias educativas podem ser adaptadas para reforçar essa função;

  • se uma queixa de “ansiedade” está relacionada a déficits atencionais, o foco pode ser em treinamento cognitivo aliado ao suporte emocional.


O diagnóstico preciso não é um fim — é o início de um plano de intervenção eficiente.


O que esperar durante uma Avaliação Neuropsicológica


Uma avaliação neuropsicológica completa envolve:

  • uma entrevista inicial detalhada;

  • aplicação de testes padronizados;

  • observação de comportamentos e estratégias de solução de tarefas;

  • integração de dados e elaboração de um relatório interpretativo.


O objetivo é criar um mapa do funcionamento cognitivo e emocional, que permita não só identificar dificuldades, mas entender como elas se manifestam no dia a dia.


Mitos e verdades sobre diagnósticos psicológicos e neuropsicológicos


Mito: “Diagnóstico confiável é aquele que aparece em um laudo.“

Verdade: Um bom diagnóstico deve se apoiar em critérios claros, instrumentos válidos e uma explicação compreensível, não apenas em um rótulo.


Mito: “Se dois profissionais discordam, ninguém sabe o que está certo.”

Verdade: Discordância pode sinalizar necessidade de avaliação mais completa ou abordagem integrativa.


Mito: “O diagnóstico não muda nada no meu tratamento.”

Verdade: Um diagnóstico preciso orienta intervenções personalizadas, potencializando resultados.


Quando vale a pena pedir uma segunda opinião?


Pedir uma segunda opinião é um ato de cuidado e responsabilidade com sua saúde mental e cognitiva. É especialmente indicado quando:

  • o diagnóstico recebido não explica bem suas dificuldades;

  • você continua com os mesmos problemas após tratamento;

  • foram utilizados poucos métodos diagnósticos;

  • há divergência entre o que você vive e o que foi descrito no laudo.


Uma segunda opinião, especialmente com uma abordagem neuropsicológica, pode trazer novos insights e direcionamentos.


Comunicar suas dúvidas com clareza é fundamental. Algumas estratégias:

  • descreva situações concretas que não foram explicadas pelo diagnóstico;

  • peça para entender os critérios utilizados;

  • solicite exemplos que justifiquem a conclusão.

  • pergunte se outros exames ou avaliações complementares seriam úteis.


Profissionais éticos estarão abertos a essas discussões e ajudarão a esclarecer suas preocupações.


Exemplos de Perguntas que Você Pode Fazer ao Profissional

  • “Quais critérios diagnósticos foram utilizados para chegar a essa conclusão?”

  • “Quais testes ou instrumentos foram aplicados?”

  • “Existe possibilidade de outra condição estar influenciando os sintomas?”

  • “A avaliação considerou meu contexto diário (trabalho, escola, relacionamentos)?”


Essas perguntas ajudam a tornar o processo mais colaborativo e transparente.


Sua experiência importa


Sentir que um diagnóstico não faz sentido é um sinal importante — e merece ser ouvido. Discordância entre profissionais não é necessariamente sinal de erro, mas frequentemente indica a necessidade de uma abordagem diagnóstica mais ampla e cuidadosa.


A avaliação neuropsicológica oferece clareza, profundidade e compreensão funcional que podem transformar não só a maneira como você entende seus desafios, mas também a forma como você os enfrenta.


Se você já recebeu um diagnóstico que não confia, ou se ainda sente que suas dificuldades não foram explicadas com profundidade — considere agendar uma avaliação neuropsicológica completa. Com um olhar especializado e métodos validados, é possível alcançar respostas mais claras e um plano de ação eficaz para sua vida.


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